quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Empreendorismo revitaliza morro Dona Marta

Paintball, brincadeira de guerra simulada, atrai turistas que visitam a comunidade no Rio de Janeiro que foi a primeira a contar com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP)

 

 

 

Da Agência Sebrae de NotíciasA comunidade, que há tempos era dominada pelo tráfico, hoje pacificada, só tem violência simulada. Para quem visita o Morro Dona Marta, no bairro de Botafogo, zona sul carioca, o paintball é hoje fonte de diversão para moradores e visitantes do local. Praticado em países do mundo todo, por cerca de 15 milhões de pessoas, o jogo consiste em tomar o território de outra equipe. “Gosto muito de participar por causa da emoção”, resume Lanca Maria da Silva Paiva, de apenas 15 anos, moradora do Dona Marta. O amigo Gabriel Martins, 21 anos, completa: "É uma disputa diferente, muito legal". 

Protegidos por colete e capacete, os participantes avançam, superando obstáculos e com tiros de bolinhas de tinta colorida, marcam o adversário atingido. Com vista privilegiada para o Cristo Redentor e a lagoa Rodrigo de Freitas, este campo, primeiro da zona sul carioca, tem atraído cada vez mais esportistas e turistas. A idéia foi do morador e praticante do paintball, André Luiz do Nascimento, 42 anos, que abriu o espaço em janeiro deste ano com a indenização que recebeu do último emprego como motorista de van escolar. 

“É uma versão da antiga brincadeira de mocinho e bandido. A violência está na cabeça das pessoas. O tiro ao alvo, por exemplo, é considerado esporte e praticado com arma de verdade. Uma pessoa com boa formação pode ter uma metralhadora nas mãos que não faz nada. Para um bandido, basta um canivete para atacar”, diz André. 

A favela Dona Marta foi a primeira a receber a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em dezembro de 2008, que marcou o início da retomada pelo Estado, de territórios antes dominados pelo tráfico de drogas. Ainda assim, antes de abrir o negócio, André conta que decidiu consultar a então capitã da Polícia Militar e comandante da UPP, Pricilla Azevedo. Recebeu dela uma resposta curta e direta: “O que tem no asfalto, pode ter no morro”. 

“A pacificação trouxe igualdade e também deveres e, por isso mesmo, fiz questão de me legalizar como Empreendedor Individual. Todo mundo aqui vivia de gato (ligação clandestina) para ter TV a cabo, luz e água. Como empresário, tenho até mais respeito por mim mesmo porque agora pago impostos. Antes, nem tinha conta corrente, porque o salário que eu ganhava ia logo embora. O paintball também ajuda a comunidade porque as pessoas vendem água, refrigerante e lanche para os visitantes”, diz ele. 

O campo funciona aos sábados, domingos e feriados e menores de 16 anos precisam de autorização dos pais ou responsável. Por duas horas de jogo, mais aluguel do equipamento, cada participante paga uma taxa de R$ 15,00 e morador, apenas R$ 8,00. Mesmo com valor abaixo do que é cobrado em outros lugares, André ganha cerca de quatro vezes mais do que recebia no antigo trabalho. Cauteloso, ele anota entrada e saída de dinheiro em um livro-caixa e reserva um terço do faturamento para empresa, dinheiro destinado ao fundo de reserva e investimento. “Tenho um bom tino para negócios, mas pretendo fazer cursos para aprender mais. Quero levar o paintball para outras comunidades pacificadas”.